Samba do Arnesto

Animação muito legal com o Samba do Arnesto, de Adoniran Barbosa. Sobre Adoniran: Principal compositor de samba paulista, João Rubinato teve várias profissões até participar do programa de calouros de Jorge Amaral cantando “Filosofia”, de Noel Rosa, em 1933. Nessa época já tinha composições próprias, e em 1935 teve seu primeiro samba gravado, a marcha “Dona Boa”, em parceria com J. Aimberê, da qual fez a letra. Nos anos 40 trabalhou na Rádio Record, já com o pseudônimo que o consagrou, fazendo personagens cômicos em radioteatro. Trabalhou em cinema e a partir de 1950 o grupo Demônios da Garoa passou a gravar diversas composições suas. Seu primeiro sucesso foi “Saudosa Maloca”, de 1951. Seu estilo é caracterizado pelo linguajar típico dos imigrantes italianos do Brás, quase sempre com teor cômico e revelando a vida na periferia. Entre seus maiores sucessos estão “Trem das Onze”, “Samba do Arnesto”, “Tiro ao Álvaro” e “Bom Dia, Tristeza”, em parceria com Vinicius de Moraes. Do Cliquemusic

Geografia Carioca do Samba

Clique para ver a Geografia Carioca do Samba.

E em tempo, os convido para assistir um vídeo de uma das grandes damas do samba, Aracy de Almeida. Fera!

Mario Sergio em Carreira Solo

Essa eu peguei do Notas Musicais.

“Já entra em fase de gravação o primeiro CD de Mário Sérgio, cantor que saiu do grupo Fundo de Quintal em outubro de 2008 para seguir carreira solo. Parceria do artista com Luiz Carlos da Vila (1949 – 2008), Fada é um das seis músicas da lavra de Mário Sérgio (à direita em foto de Cris Costa) que figuram entre as 14 faixas do disco. A seleção autoral inclui também colaborações do compositor com sambistas como Arlindo Cruz (Na Flor da Primavera), Luizinho to Blow (Maria do Samba), Fred Camacho (Nasci para Cantar e Sambar, com Marcelinho Moreira também na autoria), Ronaldinho (Amor dos Deuses) e Capri (Sol da Manhã, com Robson Guimarães). O lançamento do CD solo de Mário Sérgio está agendado para abril, pela gravadora LGK Music.”

Eu acho que o Mario Sergio tem seus méritos, é uma ótimo músico, mas o Fundo de Quintal de hoje, com o sem Mario Sergio, perto dos que tinha Almir, Jorge Aragão, Neoci, e depois com Arlindo Cruz, Sombrinha e Cléber Augusto, não tem nem comparação.

A qualidade das composições caiu muito, a qualidade da batucada caiu, o Fundo de Quintal se tornou repetitivo. Muita história, mas, sob o meu ponto de vista, uma queda sensível de qualidade perto do que já foi.

De qualquer forma segue abaixo um vídeo bem legal dos bastidores da gravação do disco do Mario Sergio :

Valeu

O Sururu na Roda na Lapa começa cedo

Esse grupo esculacha. Eu comecei conhecendo a Nilze Carvalho cantando num Casa de Samba ou Cidade do Samba, com a Dona Ivone, e depois me dei conta de que (eu não tenho certeza se é ela) eu tenho um disco de uma menina tocando chorinho, e até que poderia ser a Nilze. Vou até encontrar o disco novamente pra confirmar e aviso.

Então, depois eu descobri que a Nilze era do Sururu, e fui ouvir os discos. Excelentes!!! Qualidade de repertório, qualidade instrumental, lindas vozes, resgate de cultura de samba verdadeiro.

Esse vídeo abaixo é uma mostra disso, com um pout-pourri do Chico maravilhoso e que consta em um dos álbuns do grupo.

Vejam só:

E só pra dar mais um gostinho, nesse outro vídeo eles iniciam cantando Candeia com o mestre Zeca Pagodinho.

Pra saber mais sobre o Sururu na Roda podem acessar: http://www.myspace.com/sururunaroda

Isso é covardia

Antes de falar desse disco, eu vou começar apresentando suas duas principais estrelas:

ARACY DE ALMEIDA pelo Dicionário Cravo Albin

Juntamente com Marília Baptista é apontada como a melhor intérprete da obra de Noel Rosa. Nasceu e cresceu no Encantado, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro. Seu pai, Baltasar Teles de Almeida, era chefe de trens da Central do Brasil. Ainda jovem, cantava no coro da igreja Batista da qual seu irmão Alcides era pastor. Menina pobre, desde os tempos de criança sonhava em ser cantora de rádio, o que acabou acontecendo a partir de seu encontro com o compositor Custódio Mesquita, para quem cantou “Bom dia, meu amor”, de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano. Durante essa década vai morar em São Paulo, onde reside por 12 anos (1950-1962). Foi casada com o goleiro de futebol Rei (José Fontana), que jogou no Vasco e no Bangu, entre as décadas de 1930 e 1940, mas o casamento durou pouco tempo. Cantava samba, mas era apreciadora de música clássica e se interessava por leituras de psicanálise, além de ter em sua casa quadros de importantes pintores brasileiros como Aldemir Martins e Di Cavalcanti. Os que conviviam com ela, na intimidade ou profissionalmente, a viam como uma mulher lida e esclarecida. Tratada por amigos pelo apelido de “Araca”, dela Noel Rosa disse, em 1933, numa entrevista a Orestes Barbosa, para “A Hora”: “Aracy de Almeida é, na minha opinião, a pessoa que interpreta com exatidão o que eu produzo”.

ISMAEL SILVA pelo Dicionário Cravo Albin

Nasceu em Jurujuba, comunidade de pescadores na Baía de Guanabara. Caçula dos cinco filhos, aos três anos ficou órfão de pai – Benjamin da Silva, cozinheiro do Hospital Paula Cândido – e sua mãe, Emília Correia Chaves, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seria mais fácil arranjar emprego, indo morar no no sopé do morro do bairro do Estácio de Sá, centro carioca de pequena classe média.

Com sete anos, fez questão de matricular-se na escola. Era o melhor aluno da sala e logo tornou-se monitor.

Em 1935, foi preso depois de dar dois tiros em Edu Motorneiro, um sujeito grandalhão que faltou com o respeito a sua irmã Orestina. Foi condenado, no ano seguinte, a cinco anos por tentativa de homicídio, pena mínima, graças a Prudente de Moraes Neto, seu advogado de defesa. Contam que teria atirado em Edu Motorneiro, à porta do Café Paulicéia, na Lapa. Preso em flagrante, foi solto em 1938 por bom comportamento. Nessa mesma época, de um rápido namoro com a passista do Estácio Diva Lopes Nascimento, nasceu Marlene Martins Batista, filha nunca reconhecida oficialmente, embora fosse a cara dele.

Quase se assemelhando à figura descrita por ele em seu famoso samba “Antonico” (“… Que está vivendo em grande dificuldade/ Ele está mesmo dançando na corda bamba/ ele é aquele que na Escola de Samba/ Toca cuíca, toca surdo e tamborim…) morreu em março de 1978, ano em que a MPB perderia também Candeia.

Eu acho a Aracy fantástica, e depois de velha, nas entrevistas que vejo pela internet, e sobretudo no disco dela na série grandes nomes da MPB, ela é muito engraçada.

Uma vez eu estava ouvindo esse disco que eu falei acima, e que outra hora posto aqui, e um amigo me disse, nossa que voz feia. Eu mostrei a ele umas gravações de quando ela era jovem e ele disse que bonita voz.

A verdade é que a Aracy foi uma boêmia, e a voz rouca do fim da vida, as histórias engraçadas, tudo era retrato de uma época, de um tempo em que Noel e Ismael faziam sambas juntos, e Wilson Batista entrava na briga com sua genialidade.

Foi uma das grande damas do samba, na minha opinião.

Já o Ismael, simplesmente inventou a escola de samba, inventou o samba moderno. Do samba amaxixado, o samba ganhou a bossa que tem hoje.  Mais alguma coisa? Nem precisa.

Parece até hoje em dia … pfff … Nada contra o samba de hoje, não é o objetivo deste blog apontar bons ou ruins diretamente, mas que um chope no Café Nice com Aracy, Noel, Ismael, Wilson, Assis Valente e outros devia ser coisa de outro mundo devia.

Essa é a capa:

E aqui a obra-prima: DOWNLOAD

Samba da Vela

Saca só esse partido:

O Samba da Vela

“O samba da Vela surgiu em 2000, em São Paulo com o objetivo de permitir que os compositores pudessem mostrar suas composições em uma roda de samba semanal.

A idéia surgiu através dos sambistas José Marilton da Cruz, o Chapinha, e os integrantes do Quinteto em Branco e Preto Maurílio de Oliveira e Magnu de Sousá.

No início a roda era realizada no bar Ziriguidum em Santo Amaro às segundas-feiras, e estimulava os compositores a cantar seus sambas até altas horas da madrugada, no entanto, como terça era dia de batente, definiu-se que deveria haver um ponto final para o encontro. Depois de tentativas como ampulheta, relógio despertador, e um galo, surgiu a vela, que serviria de cronômetro para a duração do pagode.

Hoje, um casarão do século 19 serve de palco para o Samba da Vela, que deixou de ser apenas um encontro de compositores para se tornar um ritual, e com um calendário próprio.

As apresentações no Samba da Vela estão divididas em três categorias: rosa, azul e branca.
Dia da vela Rosa – são apresentados sambas inéditos;
Dia da vela Azul – são apresentados os sambas da roda anterior;
Dia da vela Branca – são apresentados os sambas já conhecidos pelo grupo.
Pensando nesta maravilhosa idéia, é que o Movimento de Consciência Negra Brasil Nagô desenvolveu o Projeto: “A Chama do Samba” – com diversas edições. Em cada edição será homenageado um cantor (a), compositor (a), uma escola de samba, no qual sambas famosos nacionalmente serão cantados por grupos de samba locais e será utilizada a vela branca que representa sambas já conhecidos.

Neste ano a 1ª edição do Projeto homenageará a madrinha do samba Beth Carvalho, e será realizada no mês de Junho, com a presença de grupos de samba de Joinville e Blumenau.

O Samba da Vela é um ritual dedicado ao samba, onde as pessoas irão ouvir e cantar as músicas numa vibração especial causada apenas pelo ritmo que para o brasileiro é mais do que um estilo musical, mais do que religião, mais do que uma entidade. O samba é parte de nossas almas, e está em cada gesto, em cada palavra, em cada olhar de um sambista.” (Não sei a fonte)

Em Joinville nós temos o projeto Chama do Samba, encabeçado pela minha amiga Alessandra Bernardino, onde ta cada ano se homenageia um grande sambista. A primeira edição foi homenagem a Beth Carvalho e a segunda a Arlindo Cruz.

A Chama do Samba foi inspirado no Samba da Vela, embora tenha bem pouco a ver, talvez só as velas. Mas é uma boa oportunidade pra se ouvir um samba de qualidade em Joinville. Este ano será no dia 20/06/2009, a partir das 23h na Sociedade Kênia Clube.

Os grupos serão :

Tempero da Cor – Joinville – Bom grupo que mescla sambas dos anos 80 com pagodes atuais, mas bem tocados.
Sabará/ Intérp. de Samba Enredo Coloninha – Fpolis – Grande intérprete, não sei se ainda faz parte do Senti Firmeza, mas esse grupo era muito bom.
Novos Bambas – Fpolis – Não conheço.

Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)

Olha que letra fantástica do mestre Candeia …

Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)
As escolas vão desfilar (garbosamente)
Aquela gente de cor com a imponência de um rei, vai pisar na passarela (salve a Portela)
Vamos esquecer os desenganos (que passamos)
Viver alegria que sonhamos (durante o ano)
Damos o nosso coração, alegria e amor a todos sem distinção de cor
Mas depois da ilusão, coitado
Negro volta ao humilde barracão
Negro acorda é hora de acordar
Não negue a raça
Torne toda manhã dia de graça
Negro não se humilhe nem humilhe a ninguém
Todas as raças já foram escravas também
E deixa de ser rei só na folia e faça da sua Maria uma rainha todos os dias
E cante o samba na universidade
E verás que seu filho será príncipe de verdade
Aí então jamais tu voltarás ao barracão

E olha que coisa linda a Teresa Cristina interpretando esse samba ao lado do João Cavalcanti do Casuarina.

Vou chamar Zé Tambozero pra batê tambor de Angola

Pedaço de um documentário muito bom, pelo menos esse pedaço é, a respeito daquele que, pra mim, é o gênero mais autêntico do samba: o Partido-Alto.

Eu vejo uma pá de “sambistas” aí que quando falam em partido falam em samba corrido, “lelele” e por aí a diante. Nada disso.

O partido tem a cadência lenta, baseado no refrão, no tema que o partideiro imprime, e os verso de improviso da rapaziada. Se você pedir um partido numa roda de samba e um louco pegar o cavaco achando que é a Mangueira que tá indo pro desfile esquece.

Dá uma olhada nisso aí:

“Quem mandou duvidar, quem mandou?
Quem mandou duvidar?
Samba corrido é samba corrido
E se não é partido nem venha cantar, quem mandou?
Quem mandou duvidar, quem mandou?
Quem mandou duvidar?”

Se restarem dúvidas, confere esse aí também

Esse último tem completo no ótimo www.portacurtas.com.br

Ana Paula do Samba

Imagem de Ana Paula Silva tocando percussão

Essa garota me emociona desde o tempo em que ela cantava no mercado municipal de Joinville.

A voz é linda, o estilo é único e o repertório fantástico. A fase do mercado acabou mas ela continua aí arrebentando, e tá toda segunda-feira no botequim da Frau fazendo o samba dela.

Mas talento é talento, e ela varia entre a Bossa Nova e coisas de Cartola e Nelson Cavaquinho, vagando até por outros gêneros da MPB, com influências de jazz e tudo mais.

Tem até o CD Contos e Cantos que ela fez em parceria com o artista Humberto Soares musicando histórias infantis lindíssimas.

Se quiserem conhecer mais sobre a moça acessem o www.myspace.com/anapauladasilva e conheçam o trabalho desta grande cantora.

Aqui vai um vídeo da fera:
Ana Paula da Silva -29.05.2004

Partideiros demais!

Dois grandes nomes do Império Serrano, do Partido Alto, da história da música popular brasileira.

ANICETO by Cliquemusic

Carioca do Estácio, Aniceto de Menezes e Silva Junior começou a freqüentar os ambientes do samba, jongo e partido alto aos 16 anos, tendo travado amizade com Paulo da Portela, Xangô da Mangueira, Alberto Lonato e outros bambas. Freqüentador da agremiação Prazer da Serrinha, foi fundador da escola de samba Império Serrano, em 1947, ao lado de Antonio Fuleiro, Molequinho, Mocorongo e outros. Entretanto, nunca fez parte da Ala dos Compositores da escola, por não gostar de compor sambas-enredo. Destacou-se no estilo partido-alto, firmando-se como um dos grandes partideiros da história, sem economizar nas construções gramaticais rebuscadas e no vocabulário pouco usual. Por causa deste talento, era o orador oficial da escola. Grande conhecedor do jongo, gênero disseminado na região da Serrinha, dominava a ciência de outras manifestações musicais-religiosas da tradição africana, como o caxambu. Em 1977 gravou o disco “O Partido Alto de Aniceto & Campolino” (MIS) ao lado de Nilton Campolino, produzido por Elton Medeiros, com nove composições de sua autoria. Considerado pelos sambistas como um dos últimos mestres do partido-alto de raiz, tinha mais de 600 composições catalogadas, mas poucas foram gravadas. Seu único disco individual saiu em 1984 pela CID, “Partido Alto Nota 10″, com participações de sambistas famosos como Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro, João Nogueira, Zezé Motta e Clementina de Jesus. Já idoso e reverenciado como referência para os mais jovens, apresentava-se ao lado de outros representantes do partido-alto, como Wilson Moreira e Nei Lopes.

Nilton Campolino by Cliquemusic

Sambista da Velha Guarda da Império Serrano, compositor e partideiro, entrou para essa escola em 1947, pouco depois de sua fundação. Gráfico de profissão, desde cedo freqüentou terreiros de jongo, batuque e partido-alto, gênero em que se tornou mestre. Em 1977 gravou seu primeiro e único disco, “O Partido Alto de Aniceto & Campolino” (MIS), ao lado de Aniceto do Império, produzido por Elton Medeiros. Teve diversas composições gravadas por outros intérpretes, com destaque para Zeca Pagodinho — que registrou algumas parcerias de Campolino e Tio Hélio, como “Delegado Chico Palha” e “Colete Curto” — e Xangô da Mangueira, seu parceiro em “Quem Fala Alto É Gogó” e “Quilombo”. Em 2000 esteve envolvido na reativação da Velha Guarda da Império Serrano, chegando a se apresentar em um show. No mesmo ano, participou do disco “Meninos do Rio” (Carioca Discos) ao lado de outros grandes nomes do samba.

Esse disco deles é foda -> O Partido Alto de Aniceto e Campolino